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Os benefícios de se sentir perdido na carreira – e o que fazer com esse sentimento.

Os benefícios de se sentir perdido na carreira – e o que fazer com esse sentimento.

12 de November, 2020

No fim do ano passado, tomei uma decisão radical: deixar o cargo estável em uma multinacional para me dedicar 100% ao meu negócio de palestras. 

 Eu já vinha há um tempo me sentido meio perdido, na carreira e na vida. Saí da L’Oreal apenas um ano depois de deixar o Tinder, onde fiquei por 5 anos, e ainda estava me adaptando ao mundo corporativo. 

 Ao mesmo tempo, o Filmr, app de edição de vídeos no qual investi, estava crescendo, e me dediquei bastante a ele. E, na vida pessoal, tive uma série de mudanças e tomadas inesperadas de decisão que me deixaram sem saber, direito, para onde ir. 

 Após juntar coragem e sair da L’Oréal para me dedicar às palestras, livre para rodar o Brasil como e quando precisasse, eu tinha a absoluta convicção de que me sentiria aliviado, feliz e preenchido. Como se eu tivesse encontrado o meu caminho, finalmente. 

 Só que não. 

 Ainda lembro ao acordar, no meu primeiro dia como empreendedor e palestrante, sem ter que ir ao escritório, e sem reunião marcada na agenda, com uma sensação de angústia profunda. Olhei para meu calendário e vi que a primeira palestra agendada era apenas daí a 5 dias e me perguntei, olhando no espelho: “o que raios eu vou fazer nos próximos 4 dias?”.

 Não fazia ideia de como preencher um vazio de agenda, a falta de colegas e, ainda, lidar com a incerteza. A sensação que tive foi de desperdiçar minha vida ao ser totalmente ineficiente, o que me deixou ainda mais perdido do que anteriormente.

 A primeira coisa que fiz para tentar reverter o quadro foi me dedicar aos estudos e às leituras. Me deparei com uma entrevista de Kevin Kelly, co-fundador da revista Wired e um dos maiores experts de tecnologia do mundo, em que ele dizia:

 “Eficiência é para os robôs. Eu acho que pessoas tenham que ser ineficientes de propósito, testando, experimentando coisas novas, fazendo coisas divertidas… isso é de onde as novas ideias surgem. Se você for ler as biografias de pessoas que foram extremamente bem-sucedidas, nota como elas também tiveram períodos na vida onde se sentiram perdidas, e por isso eu acho que devemos abraçar essa sensação”.

 Vi uma luz nessa fala, no meio de tanta escuridão, que me lembrou a frase de outro grande autor que admiro, Mark Manson. Em seu best-seller “A sutil arte de ligar o foda-se”, Manson diz que sofremos, como seres humanos, porque o sofrimento é biologicamente útil para nossa espécie. É só o ser humano que sofre, que se sente perdido, incompleto e insatisfeito, que tem uma maior propensão a buscar soluções, e consequentemente inovar, mudar, evoluir. 

 Olhe aí a relação entre se sentir perdido e mudança: fases difíceis são precisas para que saibamos sair delas com aprendizados para a vida.

 Pegue 2020 como exemplo; nem precisa me dizer que você sentiu que o trem passou e você perdeu a viagem. Todo mundo ficou mais ou menos desse jeito. Só que, agora, na reta final desse ano maluco, dá para olhar para trás e avaliar: o quanto você mudou depois dessa fase, e para melhor? 

 Por isso momentos de perdição, de incerteza, não devem ser combatidos, mas, simplesmente, vividos. São fundamentais em nossas vidas e em nossas carreiras.

Como funciona isso?

O grande escritor Henry David Thoreau famosamente disse: “É até nos sentirmos perdidos que começamos a entender sobre nós mesmos”. 

 E isso é verdade.

 Para mim, os principais benefícios em se sentir perdido são: 

  • · Surpresas e novidades;
  • · Ajuda no processo de autoconhecimento;
  •    · Criação de novos pontos de
  • vista;
  •     · Obrigação de criatividade;
  •     · Sentimento de sermos únicos no mundo.

Quando entendemos isso, começamos a valorizar mais esses momentos e entender que podem ser fundamentais para tomar melhores decisões sobre nossos trabalhos e refletir sobre nossas carreiras.

 Até porque, se tivesse que dar algumas dicas sobre o que fazer nesses momentos, eu diria o que funcionou para mim. Tudo começa com: se você quer chegar em algum lugar, comece a caminhar.

 De nada adianta ficar parado, refletindo. Isso faz com que eu me sinta ainda mais perdido… nas primeiras semanas após tomar a decisão de empreender, nadei no mar da autocomiseração e garanto: não funcionou. A sensação de depressão foi mais profunda ainda.

 Para aproveitar esse momento importante da vida, você tem que perceber que: 

Você tem algum controle sobre o caminho

Primeiro, perceba que não tem controle de tudo, mas sobre o que você tiver controle, tome iniciativa! Mesmo que em coisas mínimas. 

Eu percebi que não tinha como controlar o número de palestras que eu vendia, mas que eu podia me relacionar melhor com os RHs de empresas para que eles pudessem me conhecer melhor. Comecei a marcar papos com vários deles pelo LinkedIn. 

Não tem atalhos

Uma coisa que precisamos desenvolver nessas fases é paciência. Você não vai estar ao topo de um dia para outro, você não vai mudar sua carreira de um dia para outro, mas pode dar os primeiros passos para chegar lá a partir de hoje.

 Entendi que, para ser uma referência em Transformação Digital, eu levaria, no mínimo, um ano. Assim, dei um passo de cada vez.

Use seus olhos e ouvidos

 Ou seja, observe. 

Aproveite que, em momentos de desorientação, você está mais introspectivo e seus sentidos ficam aguçados. Experimente coisas novas e reflita sobre o feedback que elas te trazem. 

Eu testava constantemente novas formas de gerar interesse para minhas palestras e, no meio de várias falhas, lancei um podcast – que, hoje, considero um sucesso. 

Tenha a perspectiva do tempo em mente

Coloque tudo no contexto do tempo e verá que essa fase de se sentir perdido não é nada no meio de uma vida e carreira que é também repleta de conquistas e alegrias. Reflita bem: quantas vezes já se sentiu perdido na vida e, quando olhou para trás, notou que suas preocupações eram insignificantes diante da grandeza da existência?

Concluindo, é importante entendermos o valor dos momentos de incerteza. Sentir-se perdido não é um defeito, mas uma dádiva: é quando sentimos que não há rumos que transformamos e criamos nosso próprio caminho.

Ciao,
I'M ANDREA

ENTREPRENEUR. PUBLIC SPEAKER. NOMAD. CONTENT CREATOR. INVESTOR. MINIMALIST.

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