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O que é transformação digital: as 5 características do mundo 4.0

11 de março, 2020

Se você pudesse entrar em uma máquina do tempo e contar para alguém do passado como está o mundo hoje, para que ano você iria?  

Penso que, dos cenários que eu gostaria de visitar, o final da primeira Revolução Industrial, em 1840, seria um deles. Imagine um italiano chegando na Inglaterra, a bordo de um patinete elétrico da Yellow, um smartphone no bolso, smartwatch no pulso, notebook com tela touch, falando às pessoas nas ruas:

– Senhoras e senhores, o que vocês estão fazendo aqui é só o começo – e eu posso provar!

Imagine o susto dos trabalhadores londrinos! Ainda bem que não inventaram mesmo uma máquina do tempo, senão nossos ancestrais poderiam enfartar antes de perpetuar a espécie… ou vai dizer que você não teria um ataque se seu domingo preguiçoso for interrompido por alguém com notícias do futuro? 

No presente, estamos no que Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial, chama de quarta onda da Revolução Industrial, ou Revolução Industrial 4.0. Se nos colocarmos no lugar daquele pessoal de 1840, maravilhado com a modernização dos meios de produção, achando que aquele era o ápice de onde a mente humana poderia chegar, não é difícil fazer as contas: estar no 4.0 é ainda estar no prólogo de uma longa história.  

Entre o ligue-pizza e o iFood – e ao infinito, e além

Klaus Schwab, que faz 82 anos no próximo dia 30 de março, nasceu em uma época completamente analógica. Junta-se a ele apenas quem tem, hoje, mais de 50 anos de idade. Quem tem de 30 a 40, ou seja os Millennials, nasceram em um mundo em que a internet se estabeleceu, mas ainda não era popular nas casas: era a época da Internet discada pelo modem de 56k…quem lembra daquele barulhão?

Se você, que lê esse artigo, nasceu do ano 2000 pra cá – e faz parte da Geração Z – provavelmente não sabe usar um telefone de disco, o suprassumo da comunicação analógica. Quem é da época vai se lembrar: nele, a gente precisava esperar o aparelho “dar sinal”, discar de sete a nove números, dependendo do local da ligação, e aguardar pacientemente alguém atender do outro lado da linha. 

De lá pra cá, o mundo mudou tanto que, se bobear, telefone de disco é peça de museu – ou está caríssimo nesses leilões de antiguidades. E não estamos falando de um aparelho de 1840, tempo ao qual eu faria uma visita, mas de 1992…Eu lembro dele na casa da minha avó! 

A transformação digital não acompanhou o mundo analógico: ela teve uma aceleração exponencial desde o lançamento do filme O Clube dos Cinco, em 1985, até Parasita, eleito a melhor película de 2020. Isso é tão legal quanto assustador, e falo de cadeira.

Eu mesmo cresci no interior da Itália, em uma cidadezinha chamada Savona, perto de Gênova, onde nasci, e passei boa parte da minha vida em um mundo analógico. Eu e a cidade éramos totalmente desconectados e, por isso, minha primeira reação com o digital foi de choque – tanto que, quando fui trabalhar no Groupon, meu primeiro emprego em uma plataforma digital, tive o que hoje chamamos de Síndrome de Burnout. Reação de um cérebro análogico a um mundo digital e complexo!

Não pense você, que nasceu no mundo conectado, que não seja fácil para nós, mortais do analógico, fazer a transição entre os dois mundos. Imagine que todas as habilidades e competências que você desenvolve simplesmente não cabem mais na sua profissão como você a conhece. E nada – absolutamente NADA – nos preparou para as mudanças que vieram. Se duvida, pode perguntar a qualquer pessoa acima dos 40 anos, que fez curso de datilografia por correspondência, se foi mais fácil achar uma vaga graças a isso quando o computador de mesa chegou. Duvido.

A complexidade do mundo digital varreu muitas experiências anteriores, nos obrigando a reaprender a dinâmica de trabalho – e até mesmo de utilidade – no novo cenário. Eu fiz isso depois de “velho”, me dedicando aos estudos das dinâmicas digitais, e ainda preciso me dedicar muito, se levarmos em consideração que, daqui a vinte anos, vou competir com pessoas que nasceram com um telefone celular sem teclas na mão. 

Em resumo, podemos dizer que eu vi a transformação digital começar a acontecer, mas nem quem já chegou dentro dela pode dizer que a viu terminar. O termo, cunhado por Klaus Schwab, nasce com a chegada das tecnologias digitais moldadas pela convergência, com a fusão das esferas físicas, digitais e biológicas no caminho. 

No mundo dos negócios, a melhor definição de transformação digital é da adoção de tecnologias digitais para a melhoria de estratégias, processos, performance de equipes e resultados financeiros. 

Uma coisa, nesse mundo 4.0, é certa: quem achar que o momento de mudança já se estabeleceu, e que não é preciso de adequar às características que ligam essa fase de transformações à próxima, vai ficar para trás em cinco anos. Ou até menos.

E nem é preciso ir ao futuro a bordo de uma hipotética máquina de viagem ao tempo para saber disso.

As principais características da transformação digital

Minhas análises e estudos apontam que, para responder à Revolução Industrial 4.0 de forma adequada, é preciso se adaptar às cinco características do mundo da transformação digital: exponencialidade, tempo real, big data, interconectividade e inteligência artificial. 

Aqui vai uma melhor explicação de cada:

  •     EXPONENCIALIDADE: a aceleração do desenvolvimento digital está muito mais rápida do que a linearidade do mundo analógico. Se você parar pra pensar, nos últimos quinze anos ocorreram mais inovações tecnológicas do que nos cem anos anteriores. Isso nos faz principiantes o tempo todo, tendo que “aprender a desaprender” para, na sequência, reaprender. Também, a cada novidade do mundo digital, a sensação que temos é de que tudo está acontecendo cada vez mais rápido. Qualquer dia desses seremos nós a dizer para os netos que “no meu tempo o celular ainda precisava ser carregado na tomada – e diariamente”…
  •     REAL TIME, ou tempo real: é o modo com que tudo acontece no momento presente, incluindo os feedbacks que a gente recebe dos clientes, o tempo todo. Lembra quando falamos das datilografistas e o curso por correspondência? Há 30 anos, muitos cursos eram assim: você comprava o material, que chegava pelo correio, assistia às aulas na TV (quando essa possibilidade se aplicava), fazia as provas, retornava por correio… até a paquera era mais demorada, por ligações telefônicas. Os mais corajosos iam a programas de TV.  Hoje, temos inúmeras plataformas de cursos online que possibilitam o aprendizado imediato, bem como o retorno sobre esse conhecimento. E temos Tinder, Grindr e outros aplicativos de paquera que geolocalizam perfis próximos para que as pessoas possam se encontrar. Isso mostra que a Revolução Industrial também mudou nossa forma de ser: ninguém mais espera. Se buscamos algo e a resposta não é rápida, partimos para outra possibilidade. Sites que não carregam rápido perdem vendas, encomendas que vão demorar a chegar não são prioridade, ninguém mais quer ligar para um restaurante para pedir comida: se não der pra pedir pelo app, e com desconto, janta-se o que tiver em casa. O tempo real e o Momento Zero da Verdade, ou ZMOT, na definição do Google, são condutores da tomada de decisão. Empresas, pessoas e instituições públicas devem se adaptar a essa realidade se não quiserem ficar para trás.
  •     BIG DATA: ter informações sobre seu negócio, seu mercado e seu cliente em tempo real, em servidores com capacidade exponencial de armazenamento ou na nuvem, hoje é realidade. Mas não para por aí: através dessa gigantesca base de dados, tudo é mensurado. As informações viram métricas e, por isso, se tornam o ativo mais valioso das organizações. Quem tem os dados tem tudo. Vale lembrar, inclusive, que, em agosto, entra em vigor no Brasil a Lei Geral de Proteção de Dados. Empresas e instituições públicas devem se adequar a ela a tempo para que o tratamento dos dados recolhidos garanta o mínimo de privacidade a seus donos. 
  •     INTERCONECTIVIDADE: conceito que caracteriza os efeitos de rede em várias instâncias da vida. Por exemplo: se eu chegar em 1840 com smartphone e smartwatch, por exemplo, estarei ostentando na primeira Revolução Industrial a Internet das Coisas, com os wearables que têm, como objetivo, organizar e facilitar a rotina humana. Levando-se em consideração que, nessa época, os relógios marcavam apenas as horas – e nem sempre de forma efetiva –, na era do 4.0 eles nos dizem nossos batimentos cardíacos, relembram compromissos da agenda, compartilham conosco a previsão do tempo e, quase ia me esquecendo… também marcam as horas. Acredita?
  •     INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: usada originalmente para automatizar processos, a IA ainda não está totalmente à prova. Vai chegar um dia, talvez não amanhã, e nem na próxima primavera, mas, mais cedo ou mais tarde, em que a maioria dos processos estarão automatizados de tal forma que a raça humana viverá sempre “de férias”. Afinal, a Inteligência Artificial já substitui muitas de nossas capacidades cognitivas e, em alguns casos, até criativas. Portanto, é imprescindível à nossa espécie identificar, o quanto antes, quais são as habilidades emocionais que precisamos desenvolver para esse momento. Pode ser que nossa geração não o viva, mas ele aguarda por alguma geração futura – e, se não ressignificarmos o trabalho, o conceito que temos sobre ele (de que só o trabalho braçal/mental nos dignifica), e a forma como recompensamos, financeiramente ou não, o que logo, logo não vai mais depender da gente, não há saída senão o caos completo.  Afinal, se, hoje, você trabalha para ter uma condição de vida interessante dentro de suas pretensões financeiras, o que vai acontecer quando a Inteligência Artificial der conta de toda a sua área de trabalho? Multiplique isso por 90% das profissões e você terá um planeta repleto de pessoas confusas, perdidas e imensamente tristes, se a adaptação para isso não ocorrer antes.

Se você anda meio perdido sobre como e em qual contexto aplicar essas características da Revolução Industrial 4.0 na sua rotina profissional, não se desespere: é comum levar um tempo para entender o alcance de todas essas novidades.

Esse papo de características do mundo digital, inclusive, pode ser longo e reflexivo. Embora não seja algo que deva causar alarme imediato, certamente é um assunto que já deve, pelo menos, começar a ser discutido – dentro e fora das empresas. 

Cá entre nós, ele já está sendo abordado na sua empresa? Me conte.

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EMPREENDEDOR. PALESTRANTE. NÔMADE. CRIADOR DE CONTEUDO. INVESTIDOR. MINIMALISTA.

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Desde como desenhar seu próprio estilo de vida, até como ter sucesso no meio da Transformação Digital, tudo é voltado a gerar provocações intelectuais que incentivem MUDANÇA em nossas vidas.

 

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