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Como Liderar na Era Digital: Os 3 Eixos de Transformação do Líder do Futuro

10 de janeiro, 2020

A liderança do passado, ficou no passado.

O conceito de “líder como herói” já não funciona mais. Eu acredito que o estilo de liderança que nos trouxe até aqui, não é o que nos vai levar daqui pra frente. Precisamos desconstruir e construir novamente um modelo de Liderança na era digital. E precisamos disso urgente! Ainda mais no Brasil, onde segundo uma pesquisa da Deloitte, o grau de preocupação com o tema de liderança é o mais alto do mundo. 

Mas de onde nasceu tudo isso? Se a gente for ir atrás no tempo, e rever a história da liderança, tudo começou com o líder endossado de seus poderes pelos Deuses. Será que isso mudou muito ao longo do tempo? Acho que não…o modelo de liderança tradicional, um modelo hierárquico, do líder como herói, reflete um mundo Analógico, um mundo cartesiano, linear. Só que hoje vivemos em um mundo Digital que, igual descrevo detalhadamente no meu livro, é exponencial, real-time, com Big data, interconectividade e Inteligência Artificial.. Ao mesmo tempo que essas características do mundo 4.0 representam desafios para o modelo tradicional de liderança, representam enormes oportunidades de você se transformar no líder de hoje, no líder do futuro.

Para que essa mudança ocorra, é preciso que o líder desenvolva novas competências e habilidades ao longo de 3 eixos de transformação na era digital: uma transformação Cognitiva, uma Comportamental e uma Emocional. 

Cada uma delas tem uma importância enorme, e carrega consigo uma série de comportamentos que refletem essa mudança. 

1 – O LÍDER DIGITAL PENSA DIFERENTE: TRANSFORMAÇÃO COGNITIVA 

Ao longo do tempo percebi, que na era digital, muitas vezes o líder que tinha décadas de experiência no setor ou na empresa, ou simplesmente o maior tempo de casa, nem sempre demonstrava ter vantagem competitiva a respeito de “novatos”. Mas pelo contrário: frequentemente demonstrava ter uma DESVANTAGEM competitiva! 

Por que isso?  

Porque diante das mudanças contínuas da era digital, um líder especialista e enraizado em seus conhecimentos e crenças, não conseguia reagir mentalmente a essas mudanças absorvendo a novidade – quase utilizando o que eu chamo de Mente de Principiante: essa sim te dá uma vantagem competitiva.

Me familiarizei a primeira vez com o conceito de mente de principiante lendo esse livro do Mestre Budista Shunryu Suzuki: a frase que mais chamou a minha atenção foi que “há muitas possibilidades na mente do iniciante, mas poucas na do perito”. Isso é mais atual que nunca na era Digital, até o ponto que muitas vezes um jovem aprendiz pode tomar decisões mais assertivas focadas no comportamento do consumidor (e não apenas no produto) do que um líder C-level. 

Um exemplo prático é o sucesso da prática da Mentoria Reversa, onde os jovens da empresa fazem de mentores para os líderes, em temas como novos comportamentos do consumidor, hábitos da Geração Z (que hoje já representa 20% da população Brasileira) e redes sociais. Sendo que o líder digital precisa esvaziar a mente e reaprender o tempo todo, ele precisa tolerar o risco de tomar decisões com informação incompleta – até porque se esperar ter a informação completa, pode ser que você esteja demorando demais: é isso que o Jeff Bezos diz ao declarar que ele toma decisões com ao máximo 70% da informação necessária:pois se ele esperar ter 100% da informação, ele estaria tomando decisões de forma lenta demais.

2 – O LÍDER DIGITAL AGE DE FORMA DIFERENTE: TRANSFORMAÇÃO COMPORTAMENTAL

Será que o líder que fica trancado na própria sala, no andar executivo, estrategizando e filosofando sobre o rumo da empresa e discutindo ideias apenas com colaboradores que não o contradizem, ganha o respeito das equipes e consegue de fato transformar a própria empresa? Acho que não. Aliás, tenho certeza que não.

O líder de hoje precisa ser mais focado na execução do que nunca: ou seja, precisa ter uma atitude de prototipagem e execução rápida – pois no meio da transformação digital, ideia já virou commodity (pois todos temos acesso completo à informação completa) e a verdadeira vantagem competitiva está na capacidade de execução e de fazer ajustes a partir dos feedbacks rápidos que nascem a partir do “test and learn”. Ou seja, o líder hierárquico, que delega a transformação da empresa a times isolados, normalmente trancados em laboratórios de inovação – claro, frequentemente bem financiados mas desalinhados com as metas e os processos do dia a dia da empresa já não funciona mais: é preciso um líder colaborativo, que se envolve, que executa e que muda a estrutura organizacional em prol dessa atitude de prototipação rápida – ou seja, estruturas mais horizontais, ágeis, flexíveis e cooperativas. 

Quando estava a frente do Tinder, nos lançamos várias funcionalidades que não vingaram e que tivemos que retirar, como por exemplo o Tinder Social (onde podia dar Match entre grupos de pessoas), o Moments (que era tipo um Stories no seu Tinder), e outras. Mas sabe porque isso foi extremamente importante? Porque ao lançar e falhar, a gente reforçava nosso foco e assertividade no que era realmente importante (como por exemplo o Tinder Passport, que através da mudança de localização, fez o pacote por assinatura disparar até fazer o Tinder virar o app que mais faturou no Brasil em 2017 e 2018). Isso nasceu de uma liderança que assumia riscos, e que estava muito próxima ao negócio, aos seus times, e até aos seus clientes (ao ponto que o Sean Rad, fundador do app, acabou contratando para a empresa uma socióloga, a Jessica Carbino, com quem tinha dado match no Tinder!).

3 – O LÍDER DIGITAL REAGE DE FORMA DIFERENTE: TRANSFORMAÇÃO EMOCIONAL

Pense na transformação digital como trocar o motor de um avião no enquanto ele está voando: você não pode parar a sua empresa, mas você precisa mudar processos, estratégias e cultura. Como fazer isso ao mesmo tempo? E como não ficar paralisado pelo medo, pois o avião inicialmente vai despencar (mas com a visão que ele depois voe ainda mais alto)?

É importante que o líder digital tenha um alto grau de tolerância a risco, e enorme resiliência: ele tem que saber segurar a barra do “avião despencando”, manter a calma, e ainda inspirar os colaboradores para trabalharem juntos em direção de uma visão clara. Ao mesmo tempo, essa tolerância a ambiguidade é precisa em um cenário que muda o tempo todo e onde o líder caminha como em uma escada, subindo até a visão de longo prazo, mas onde uma neblina permite ver apenas até um ou dois degraus na frente: ele não necessariamente conseguirá antecipar ou prever as mudanças no mercado, mas tem que ter a resiliência de reagir diante delas. 

E ao mesmo tempo, o líder de hoje não precisa mais necessariamente de ter um alto QI, ou ser o mais inteligente, mas sim ele precisa ter um alto quociente Emocional -ou seja demonstrar as características da Inteligência Emocional (que o psicólogo Daniel Goleman definiu no próprio livro) – entre as quais a empatia e o autoconhecimento. Porque isso é tão importante, paradoxalmente, no meio da transformação digital? Porque se não, se o líder apenas tomar decisões frias, distantes e não souber lidar com pessoas, logo menos será substituído por um robô 

“Para se ter sucesso, uma pessoa precisa de um alto Quociente Emocional. Para não perdê-lo rapidamente, ela precisa de um alto Quociente Intelectual. E, para ser respeitado, você precisa de um alto Quociente do Amor”. Eu gosto muito dessa frase do Jack Ma, o fundador do Alibaba, que fala da importância do Quociente Emocional: O exemplo prático eu aprendi com o meu pai, o Sergio Iorio: ao fundar a Italmatch Chemicals quase do zero 20 anos atrás, ele sempre priorizou o lado humano dos colaboradores, e por isso tem praticamente 0% de rotatividade entre os líderes da empresa, desde a sua fundação: eles todos ainda fazem parte da empresa. Com vulnerabilidade, empatia e vontade de botar a mão na massa nas fábricas quando for necessário, ele realmente se demonstra um líder com alto quociente emocional.

De fato, somente após se desenvolver ao longo desses 3 eixos que é possível para o líder conseguir transformar a própria empresa e fazer ela crescer no cenário de transformação digital.. E mais do que apenas desenvolver essas novas competências, é importante ficar atento em não entrar em uma rotina repetitiva de tomar as decisões igual ao passado: se perceber que está criando crenças novamente dê um passo atrás e as desafie..  

Para mim, esse processo de desenvolvimento, por mais exaustivo que tenha sido, foi muito desafiador e fascinante. A minha primeira posição de liderança foi no Groupon, ainda bastante novo, aos 25 anos, quando me juntei a empresa como gerente comercial em Belo Horizonte. Na época eu tinha uma equipe de em torno de 12 executivos de vendas . E vou te contar: eu tinha zero preparo para isso. Na época eu não tinha nenhuma experiência na área comercial, nem em liderança e gestão de pessoas: imagine meus primeiros meses!Quantos fracassos ao tentar aplicar o que aprendi na Bocconi, faculdade de administração que fiz na Itália, ou que eu lia nos livros tradicionais de liderançaApenas me mostrando vulnerável, movido a execução, e cooperativo, que consegui crescer como líder dentro da empresa.

E todas as vezes que eu estive nessa posição, o meu grande desafio foi juntar os times diante de uma visão comum de longo prazo, mesmo no meio de um mundo em transformação digital que ameaça os resultados de curto prazo e consequentemente assusta de alguma forma as equipes.”Será que vou perder meu emprego?”, “Vou deixar de ganhar meu bonûs?”, e outras são perguntas que as equipes se fazem, diante da ameaça da transformação digital “corroer” os resultados de curto prazo. 

Deixa eu explicar melhor. Pense novamente na metáfora do avião: o processo de transformação digital não é nada diferente do que isso. Precisa que os times trabalhem em conjunto para concretizar essa visão e fazer o avião voar em áreas ainda mais altos, metaforicamente “trocando o motor” da companhia através da transformação digital.

Vivi isso no meu desafio na L’Oréal, ao perceber que ainda mais do que um desafio ferramental, ou tecnológico, de transformação digital, o principal traço da liderança necessária nessa transição era cultural, comportamental, ao final, muito humano. 

E sobre o líder que consegue levar esse processo para frente? É o líder que pensa, age e reage da forma que o mundo digital pede. 

E você: é um desses, ou quer ser um deles?

Ciao,
EU SOU O ANDREA

EMPREENDEDOR. PALESTRANTE. NÔMADE. CRIADOR DE CONTEUDO. INVESTIDOR. MINIMALISTA.

Aqui vai encontrar algumas idéias, reflexões e conteúdos sobre os temas que mais me apaixonam.

Desde como desenhar seu próprio estilo de vida, até como ter sucesso no meio da Transformação Digital, tudo é voltado a gerar provocações intelectuais que incentivem MUDANÇA em nossas vidas.

 

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