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Por Andrea Iorio Imagine-se na seguinte situação: você é gestor numa empresa de engenharia, e tem no seu time uma pessoa de enorme potencial, que você acredita será seu sucessor. Afinal, você quer ser promovido e obviamente quer ter uma pessoa que possa pegar o seu lugar, em vez de deixá-lo vazio. Você percebe que […]

Por Andrea Iorio

Imagine-se na seguinte situação: você é gestor numa empresa de engenharia, e tem no seu time uma pessoa de enorme potencial, que você acredita será seu sucessor. Afinal, você quer ser promovido e obviamente quer ter uma pessoa que possa pegar o seu lugar, em vez de deixá-lo vazio. Você percebe que em sua tarefa atual, esse colaborador desempenha suas tarefas sem esforço, de forma tranquila, garantindo o melhor resultado, mas ele só tem uma área onde ele deve melhorar, a área analítica. Ai, pensando no plano de desenvolvimento dele, você tem que escolher entre um dos seguintes 3 cenários:

1 – você não toca em nada que é o escopo dele, para evitar que ele perca qualquer pingo de produtividade ou resultado para você e o seu time. Você afinal está interessada no plano de sucessão, mas também não pode fazer o resultado cair.

2 – você coloca para ele mais carga de trabalho, e contrata um estagiário que possa montar os relatórios para ele,  para que ele obtenha mais resultado fazendo o que sabe fazer melhor e quem sabe ser considerado pela diretoria como o seu sucessor.

3 – você o desafia a evoluir na area analítica pagando um curso de ciência de dados para ele, e também o desafia a alocar 20% do seu tempo para focar em melhorar seus relatórios e analises de resultados. Afinal, o força a encarar o que o deixa desconfortável, mesmo que nisso ele não seja tão produtivo como antes. 

Qual você escolhe?

Surpreso por como abriu o texto de hoje? Pois é, aqui não tem resposta certa nem errada, mas se trata apenas de um exercício mental: do meu lado, já pode imaginar que acredito o certo ser a opção 3, porque as outras duas são alternativas que o deixam em sua zona de conforto – enquanto só a terceira o coloca na zona de desconforto, que é onde as pessoas mais evoluem e crescem. De fato, esse é o tema que iremos explorar hoje através de uma fala do David Goggins.

Quem é o David Goggins? Ele é um ex-Navy Seal americano, corredor de ultramaratona, ciclista de ultra distância, triatleta, orador e autor. Ele é considerado o homem mais resistente do mundo, não apenas fisicamente mas também mentalmente. Até hoje, é o único militar americano que participou três vezes da Hell Week, sendo que na última participação ele a concluiu com o tornozelo quebrado, envolvido por fitas do tipo silver tape para suportar a dor. Ele também foi o recordista mundial, reconhecido pelo Guinness, para o maior número de elevações na barra fixa em 24 horas, registrando em Janeiro de 2013 “apenas” a quantidade de 4.030 elevações na barra fixa. Ou seja, o cara é uma máquina, seja fisicamente que mentalmente.

E justamente pelo fato que ele conhece tão bem o desconforto, ele aprendeu que o desconforto é o melhor ambiente de aprendizagem que existe. E é sobre isso que o David Goggins nos fala nesta próxima frase:

“As pessoas se perguntam: “Porque eu não estou conseguindo mais? é porque todos nos, quando alcançamos algo, comemoramos por muito tempo, anos, e você se pergunta: Porque nao tenho mais motivação? Onde ela está? Se você não desenvolve uma rotina de sofrimento – e sofrimento não é você ir lá fora e se matar de trabalho todos os dias, mas é estar desconfortável – isso te mantém fomento todos os dias. Se você vive em suas vitorias por tanto tempo e diz: vou me desafiar por 30 dias ou por duas semanas, ou correr essa maratona, e depois você diz: eu fiz uma maratona. Bom, isso é o porque você perde essa fome, porque você tem que estar o próximo obstaculo. Obstáculos é como você cresce, você tem que continuar a ter fricção, fricção é onde o crescimento está. Se não tem fricção não tem crescimento”. 

Gostaria que você pensasse agora em algo que te da muito prazer.

Pode ser o que for, pode ser sua comida preferida, pode ser chocolate, pode ser uma massagem…bom, vamos pegar o exemplo do chocolate. Imagine pegar um pedaço do seu chocolate preferido, e colocar ele agora na sua boca: eu juro que neste momento estou colocando na boca um pedaço de Salted Caramel do Ghirardelli, uma das minhas preferidas, e quero que pense no prazer que isso te da. Agora, pegue mais um e saboreie novamente. E mais um, assim por diante. Quando chegar no quinto ou no sexto, você tem a mesma sensação de prazer que você teve na primeira? Provavelmente não, você deve estar sentindo nausea, e de forma geral, você já perdeu a sensação de prazer. Assim, o prazer pode rapidamente se transformar em dor, mas assim a dor também pode se transformar em prazer. Uma das razões pelas quais a dor pode se transformar em prazer é que tanto a dor quanto o prazer ativam as mesmas regiões neurais em nosso cérebro. Ambos ativam a liberação de opioides: 

Agora, os opióides são como os antidolorificos natural do corpo. Eles agem para reduzir a dor, mas acontece que também aumentam nossa experiência de prazer.

Bom, deixa eu explicar melhor: recentemente assisti a um Ted Talk muito legal, do titulo: “Why we need pain to feel happiness”,, ou seja “Porque precisamos da dor para sentir a felicidade” do Brock Bastian, um psicólogo social Australiano e professor na Universidade de Melbourne. No discurso dele, faz o exemplo do que é chamado de “runner’s high”, ou seja o pico do corredor. Corredores vão saber do que estou falando: Os corredores costumam se referir a uma experiência de euforia após uma corrida particularmente intensa. 

Ao empurrar nosso corpo contra o limiar da dor, somos literalmente capazes de aumentar nossa experiência de prazer na vida. No entanto, se buscarmos prazer sem fim, ele rapidamente se transforma em dor. Isso não significa que devemos buscar uma dor sem fim. Parece que talvez seja melhor um pouco de dor.

Em uma pesquisa academica citada pelo Brock, um grupo de pesquisadores perguntou às pessoas se elas tinham alguns tipos de adversidades e tragedias serias em suas vidas. Isso é conhecido como uma “measure of lifetime adversity”, ou medida de adversidade na vida. Agora, depois que as pessoas indicaram quanta adversidade enfrentaram em suas vidas, os pesquisadores pediram que colocassem a mão em um balde de água gelada e o segurassem por tanto tempo quanto pudessem. Isto é o que eles encontraram: pessoas com poucas adversidades na vida, tiraram a mão mais rapidamente. Pessoas com muitas adversidades ao longo da vida, mantiveram as mãos no balde de gelo por mais tempo.

Mas o que é interessante é que se você perguntar sobre dor, ambos os grupos relataram mais dor. Eram as pessoas no meio, as pessoas com uma quantidade moderada de adversidades ao longo da vida, que seguraram a mão deles no balde de gelo tanto tempo quanto qualquer outra pessoa, mas relataram a menor quantidade de dor. Eles lidaram o melhor com a dor. 

Agora, o que é interessante é que este mesmo grupo de pesquisadores em um estudo diferente perguntou às pessoas sobre seus níveis de felicidade e bem-estar na vida, e eles encontraram o mesmo padrão novamente. Foram as pessoas com uma quantidade moderada de adversidades ao longo da vida que foram as mais felizes, que tiveram os níveis mais altos de bem-estar.

Parece que um pouco de dor pode realmente construir resiliência, e nos fazer sentir mais felicidade. Mas um pouco só. 

Ao mesmo tempo, a dor tem outros efeitos positivos em nossas vidas: A dor também pode aumentar nossa presença na vida. Imagine fazer um sanduíche e, ao fazê-lo, você corta seu dedo. Agora, o que você faz? Você continua fazendo o sanduíche ou cuida do dedo?

Claro que você cuida do seu dedo. Essa é a função da dor. Isso interrompe tudo o que estamos pensando, sentindo e fazendo. E isso nos faz focar no que está acontecendo aqui e agora.

Também, outro efeito positivo é que a dor também pode criar significado. Pode dar às coisas um senso de propósito. Imagine correr uma maratona normal. Agora imagine correr uma maratona sem dor. Será tão fácil sentar em casa no sofá assistindo televisão; qual seria o ponto? 

Bom, nenhum. Então aqui o ponto é que precisamos de dor para nos sentirmos felizes. E muitas vezes nos sentimos felizes quando alcançamos algo. Mas o engraçado é que existe um circulo vicioso pelo qual, pelo medo da dor do fracasso, nós não tentamos alcançar algo, e por isso nunca começamos, e não saimos da zona de conforto. o David Goggins tem uma frase incrivel que diz: “Eu pensei que tomando o caminho de menor resistência tinha resolvido um problema quando na verdade eu estava criando novos”.

E é na zona de conforto onde nada acontece! Como diz o David Goggins na frase acima, precisamos de frição. Ou como acrescento eu, precisamos de incerteza, caos, medo, e até dor. É só neste ambiente que crescemos, evoluimos, nos transformamos. 

Tem uma frase legal do David Taylor, CEO da P&G, que diz sempre “Se eu estou confortavel, entao sou parte do problema”. Em um artigo incrivel que ele publicou no Linkedin, Taylor atribui seu sucesso à sua disposição de assumir riscos e abraçar situações desconfortáveis. Neste artigo do titulo “A coragem de estar desconfortável”, ele encorajou todos a agarrar a incerteza  e reforça que ao seu ver, o trabalho que nos deixa nervosos é a chave para o nosso crescimento contínuo. Ele também mandou um recado – não deixe que você fique muito confortável. Uma frase que me chamou a atenção foi: “Quando estamos confortáveis, começamos a ficar relaxados. Aceitamos as coisas como estão e não nos sentimos motivados a mudar. Eu chegaria ao ponto de argumentar que, se você não está um pouco desconfortável, você provavelmente não esta sendo desafiado o suficiente … Para dar o nosso melhor, cada um de nós precisa se desafiar sempre que começar a se sentir confortável”.

Como fazer isso? Saindo da zona de conforto. A Dra. Elizabeth Lombardo, psicóloga e autora de “Better Than Perfect”, diz que pessoas que buscam regularmente novas experiências tendem a ser mais criativas e emocionalmente resilientes do que aquelas que permanecem presas à rotina.

O segredo do sucesso está exatamente naquilo que você está evitando. Essas coisas que parecem te derrubar e até humilhar o seu espirito. 

Procure desconforto. Pare de evitar o que é difícil. Quando você é desafiado, é forçado a se tornar mais do que era. Isso significa criar novas perspectivas, adquirir novas habilidades e ultrapassar limites. Em outras palavras, você precisa expandir seu entendimento para poder superar os obstáculos que enfrenta, e expandir é uma palavra chave aqui porque Peter McWilliams já disse certa vez: “As zonas de conforto são frequentemente expandidas por meio do desconforto”.

Sair de sua zona de conforto de vez em quando desafia suas habilidades mentais. Pessoas mentalmente ativas estão constantemente construindo densas redes de conexões entre suas células cerebrais. Os cientistas chamam isso de “reserva cognitiva”, e continuar a aprender coisas novas constrói e mantém essas conexões. Tarefas mentalmente desafiadoras têm o maior impacto na saúde do seu cérebro. Esteja aberto a novas experiências que o façam ver o mundo e fazer as coisas de forma diferente.

Como falamos, o ponto do desconforto é que ele nos da medo, e por isso não o perseguimos. Mas o Tim Ferris, grande autor e protagonista do episodio 29 do Metanoia Lab, tem uma pratica super interessante para superar esse condicionamento, ou seja: definir os seus medos, e não apenas seus objetivos. A ferramenta de Ferriss que ele desenvolveu é chamada “Fear Setting”, e é um checklist de três páginas de seus medos e os possíveis resultados de ação, ou inação.

Nas palavras de Ferriss, Fear Setting é um sistema operacional para prosperar em ambientes de alto estresse. É uma maneira de visualizar todas as coisas ruins que podem acontecer com você, para que você tenha menos medo de agir”.

Pense na definição do medo como o oposto do estabelecimento de metas. Em vez de fazer uma lista do que você deseja fazer, faça uma lista do que você tem medo de fazer e do que tem medo que aconteça.

Por isso te deixo hoje com um desafio pratico: abra um file Word e faça o seguinte, na primeira pagina faça 3 listas

Faça as seguintes três listas, com 10 a 20 palavras cada: 

• Definir – quais são as piores coisas que podem acontecer?

• Prevenir – Como posso evitar que cada um aconteça?

• Reparar – Se o pior acontecer, como posso consertar?

Página 2: do titulo “Ambiente de medo”

Faça uma lista dos possíveis benefícios se for bem-sucedido ou parcialmente bem-sucedido.

Página 3

Faça três listas dos custos de sua inação. Em outras palavras, se eu evitar fazer isso, o que posso perder em:

• 6 meses

• 1 ano

• 3 anos?

Reflita nisso como dever de casa e me conte.

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