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Por Andrea Iorio Imagine a seguinte situação: você está querendo dar uma renovada no seu home office, e pelo fato que está tendo muitas ligações no Zoom, quer dar um tapa no fundo, mostrando o que é mais relevante para você. Você tem uma parede atrás de você, onde tem espaço para pouca coisa, e […]

Por Andrea Iorio

Imagine a seguinte situação: você está querendo dar uma renovada no seu home office, e pelo fato que está tendo muitas ligações no Zoom, quer dar um tapa no fundo, mostrando o que é mais relevante para você. Você tem uma parede atrás de você, onde tem espaço para pouca coisa, e você quer escolher um item que porém represente algo importante para você. Ai você pensa em 3 opções:

1 – pendurar uma foto do seu filho recém nascido, pois você o considera o seu maior sucesso na vida pessoal, não é?

2 – pendurar uma foto da sua formatura, pois você o considera o seu maior sucesso na vida profissional, ou educacional digamos;

3 – pendurar uma foto de você, adolescente, confuso, ansioso, perdido, que te relembre daquela fase de aprendizado e exploração mas de muitos fracassos também. Afinal, ao relembrar as dificuldades talvez você esteja mais motivado a se transformar. 

Qual você escolhe?

Bom, se você estiver surpreso por como abri o texto de hoje, saiba que não tem resposta certa, nem errada, mas se trata apenas de um exercício mental. Do meu lado, já pode imaginar que acredito o certo ser a opção 3, porque as primeiras duas nos relembram dos nossos sucessos e tem uma limitada capacidade de nos animar para conseguir mais conquistas ainda. Agora, a terceira nos alimenta uma chama dentro que, ao nos relembrar das dificuldade, se torna o combustível que precisamos. É disso que a Abby Wambach fala em suas palestras. Quem é ela?

A Abby Wambach é uma ex-futebolista estadunidense que por longo tempo teve o record de mais goals feitos a nivel internacional no mundo, a nivel masculino e feminino. Foi uma das integrantes da Seleção de Futebol Feminino dos Estados Unidos da América que conquistou a medalha de ouro olímpica em Atenas 2004 e Londres 2012. E sendo que um dos temas que ela mais aborda é o paralelo entre esporte e negócios, nos vamos agora ouvir ela nos falando de como o fracasso é para atletas o verdadeiro combustível do sucesso, e como podemos aprender a fazer o mesmo nos negócios:

“Regra numero 1: faça do fracasso o seu combustível. Aqui algo que os melhores atletas entendem, mas que parece ser algo difícil de entender para quem não é atleta. Os não-atletas não sabem o que fazer com o dom do fracasso: eles o escondem, fingem que nunca aconteceu, o rejeitam de cara, acabam desperdiçando ele. O fracasso não é algo do qual temos que nos envergonhar, mas é algo pelo qual devemos ser alimentados. O fracasso é o combustível mais poderoso em cima do qual a sua vida pode acontecer. Você tem que aprender a fazer do fracasso o seu combustível”. 

Nos primeiros jogos da Abby Wambach na seleção americana, ela ficou surpresa por uma foto impressa bem grande no vestiário. Ela estava pendurada bem ao lado da saida do vestiario, para que fosse a ultima coisa que uma jogadora fosse ver antes de subir em campo. Era uma foto da ultima vitoria da Copa do Mundo dos Estados Unidos? Não. Era uma foto delas unidas como um time? Não. Era a foto da seleção da Noruega, que é a inimiga histórica dos Estados Unidos no futebol feminino, que as retratava comemorando após ter ganho do time dos EUA na Copa do Mundo de 1995. E sabe o que a Abby Wambach aprendeu naquele vestiário, diante daquela foto? Que para ela se tornar a melhor em sua vida esportiva, e pessoal também, precisava que as sensações e lições que nascem do fracasso, se transformassem em seu poder.  

E aqui você vai pensar: ‘Como assim? Eu teria colocado fotos minhas comemorando, e não do meu oponente me derrotando”. É a mesma coisa que eu pensei. Mas quero que você reflita e perceba, que a autocelebração nos move muito menos que a vontade de superar o fracasso que já tivemos. 

Deixe eu te perguntar: você se sente mais motivado a dar o máximo após uma promoção no trabalho, ou após a expectativa frustrada de uma promoção, onde você não foi promovido enquanto tinha a certeza que ia? Bom, você vai justamente me dizer que depende: depende de como interpretamos o fracasso! Tem quem, e eles são a maioria, que vai dizer que vai se sentir mais motivado após a promoção, pois após a rejeição vai provavelmente se sentir para baixo, sem energia e desanimado. Mas uma pequena minoria, percebe que ao usar o fracasso como combustível, vai se sentir muito mais focado e pronto a dar tudo após o seu fracasso, do que a promoção. 

Tudo bem, na hora você pode até ficar para baixo e frustrado, mas precisa tornar essa frustração em combustivel, e lembramos que combustível se transforma em energia, não é? 

Eu entendo que isso possa ser dificil, mas sabe de quem melhor aprendemos? 

Dos atletas, como a Abby.

Veja bem: os atletas tem uma interpretação do fracasso totalmente diferente da maioria das pessoas que não são atletas. Deixe eu contar: um estudo de 2015 do titulo: “What doesn’t kill me…: Adversity-related experiences are vital in the development of superior Olympic performance”, ou seja “O que não me mata…: experiências relacionadas a adversidades são fundamentais no desenvolvimento de uma performance superior nas Olimpiadas”, publicado no Journal of Medical Sports pelos pesquisadores Sarkar, Fletcher e Brown, demonstrou que adversidades foram fundamentais no desenvolvimento de 10 atletas que ganharam ouros Olimpicos, que foram entrevistados pela pesquisa. As descobertas indicam que os participantes listaram uma série de adversidades esportivas e não esportivas que eles consideraram essenciais para ganhar suas medalhas de ouro, incluindo rejeição repetida, fracassos esportivos significativos, lesões graves, problemas politicos e a morte de pessoas queridas. Os participantes descreveram o papel que essas experiências desempenharam em seu desenvolvimento psicológico e de desempenho, focalizando especificamente no trauma que isso causou, e na sua subsequente motivação e aprendizagem.

Primeiro, vamos entender porque atletas fracassam mais: é porque eles tentam mais, e tem mais competição dentro de contextos com regras claras e definidas! Até o Usain Bolt já perdeu em competições, e a mensagem clara aqui é que sendo que você se desafia muitas vezes contra pessoas que estão tão focadas quanto você, é inevitável que você não vai ganhar toda vez. Nos negócios e na vida, já as regras não são tão claras e definidas e por isso conseguimos fugir mais da comparação e, entre aspas, fracassamos menos. 

Também atletas fracassam mais porque as temporadas são longas: ou seja, um jogo de futebol perdido não pode ser interpretado como um fracasso final, porque você ainda pode ganhar o campeonato. Então tudo é relativizado, e faz com que as pequenas derrotas sejam mais toleráveis. Carreiras esportivas são assim também: Veja bem: O quarterback Peyton Manning ganhou dois Super Bowls e apareceu em quatro, mas levou quase uma década para chegar lá. Na temporada de estreia de Manning, sua equipe teve uma performance desastrosa: 3-13. Manning não deixou seu início lento impedi-lo de seguir em frente.

De acordo com a Fox Sports, Manning disse uma vez: “Não é o desejo de vencer que o torna um vencedor; é se recusar a falhar. ”

É por isso que RELEMBRAR DOS SEUS FRACASSOS É MAIS IMPORTANTE DE RELEMBRAR SEUS SUCESSOS: PORQUE MUITOS ATLETAS ODEIAM PERDER MAIS DO QUE AMAM GANHAR! Em 2015, a estrela do tênis Serena Williams perdeu uma grande partida no American Open para a minha conterrânea Roberta Vinci. Muitos consideraram a derrota de Williams uma das maiores surpresas da história do tênis, mas a própria jogadora não deixou as críticas chegarem a ela. Em vez disso, ela viu os aspectos positivos nisso e usou sua perda como motivação para melhorar. Numa entrevista ao Los Angeles Times, Williams disse: “Se você sabe alguma coisa sobre mim, odeio perder. Sempre disse que odeio perder mais do que gosto de ganhar, então isso me leva a ser o melhor que posso ser. ”

É assim que atletas usam o fracasso como combustível: veja o caso do Michael Jordan. Quando Michael Jordan fez um teste para o time de basquete do colégio, ele não passou. Mas ele se tornou um dos maiores jogadores de basquete de todos os tempos. O fracasso de Jordan o motivou a se esforçar mais e melhorar suas habilidades. Tornou-se seu combustível em sua jornada para o sucesso.

No livro de Robert Goldman e Stephen Papson, “Nike Culture: The Sign of the Swoosh”, tem uma citação do Michael Jordan famoserrima e que está nos memes de toda internet, que é: “Eu perdi mais de 9.000 arremessos em minha carreira. Perdi quase 300 jogos. Vinte e seis vezes deixaram comigo a bola final do jogo para ganhar, mas falhei e perdemos. Eu falhei inúmeras vezes em minha vida. E é por isso que eu tenho sucesso”

Tudo bem até aqui com essas frases motivacionais, mas com base na ciência, como funciona esse mecanismo de tornar o fracasso em combustível para o sucesso? 

É tudo explicado por uma teoria da psicologia chamada de “Teoria de controle cibernetico”. 

Esta teoria argumenta que nosso comportamento é regulado por ciclos de feedback, como um termostato: com o aumento do calor, entre aspas, por causa de um fracasso, o regulador interno de seu cérebro entra em ação para esfriar suas emoções a fim de ajudá-lo a ser melhor em tudo o que estiver fazendo.

Experimentar emoções negativas após o fracasso é uma parte importante do processo. Mas o pior é que nem toda angústia e ansiedade vão trabalhar a seu favor. É essencial que você evite a negatividade que te debilite, igual falamos antes, e se concentre nas emoções que ajudam a transformar o fracasso em combustível. Numa pesquisa, os pesquisadores reuniram 42 participantes para participar de uma tarefa de golfe. Eles foram divididos em dois grupos e solicitados a completar 24 tacadas. É importante observar que os participantes não conseguiam ver onde a bola foi parar. Isso foi intencional para que os pesquisadores pudessem manipular o tipo de feedback, e aprimorar o fracasso percebido pelos indivíduos.

Em um grupo de controle, os participantes receberam feedback positivo sobre seu desempenho no golfe a cada seis tacadas. No outro grupo, eles receberam feedback negativo. A fim de ver o efeito que o fracasso percebido teve na auto-estima dos participantes, os pesquisadores pediam um auto-relato a cada seis tacadas, onde lhe era perguntado: “Até que ponto você acredita que pode atingir seu objetivo?”

Os pesquisadores também estavam interessados no efeito que a falha teve nas emoções dos participantes e na função executiva cognitiva. Uma escala de sentimento foi administrada a fim de medir a emoção, enquanto a função cognitiva foi medida usando duas tarefas de computador separadas. Em uma tarefa, os participantes foram solicitados a identificar o nome da cor impressa na mesma cor de tinta (por exemplo, RED impresso em tinta vermelha) ou cor de tinta diferente (por exemplo, AZUL impresso em tinta vermelha). A outra, uma tarefa matemática, envolvia fazer uma somatória complexa sob uma restrição de tempo.

Os resultados do estudo revelaram que o fracasso teve um impacto negativo no estado emocional e na autoestima das pessoas. (Lembre-se: Falhar é uma merda.) No entanto, eles também descobriram que o desempenho dos participantes em tarefas físicas e cognitivas subsequentes não foi prejudicado pelo fracasso. Na verdade, os participantes que enfrentaram o fracasso responderam mais rápido a uma das tarefas cognitivas sem comprometer sua pontuação. Em outras palavras, eles eram rápidos e precisos.

Ou seja, percebeu que depende da gente afastar as emoções negativas, e aproveitar a motivação e percepção aprimorada que temos, após os fracassos?

Por isso quero te lançar um desafio prático: relembre um seu grande fracasso, um que pode ter te deixado arrasado e que talvez você nem goste tanto de relembrar. Mergulhe na frustração daquele momento, e após isso, busque algo –  pode ser uma foto, um objeto, algo simbólico, que te remeta a aquela experiencia. Coloque ele na sua mesa, ou pendurado na parede, ao lado dos premios que você já teve, dos diplomas que você já obtive, e das fotos lindas retratando tudo de bom que já aconteceu na sua vida. E a partir de hoje, quando você precisa de motivação, olhe para ele e não pelo que você já conquistou. Vai se surpreender, e muito. 

Reflita nisso como dever de casa e me conte. 

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